Padrões Microbiológicos: Staphylococcus aureus – ATCC 6538
Padrões Microbiológicos
Staphylococcus aureus – ATCC 6538
Iniciamos o ano de 2026 dando continuidade a nossa série Padrões Microbiológicos Farmacopeicos, com o Staphylococcus aureus – ATCC 6538. Microrganismo adotado como padrão pelas principais farmacopeias, devido a sua relevância clínica, sanitária e industrial, por possui um perfil genético e fenotípico bem caracterizado, estável e reprodutibilidade de crescimento, além de uma resposta consistente frente a conservantes, desinfetantes e agentes antimicrobianos. Essa “previsibilidade” torna-o uma cepa adequada para o uso como organismo desafio em ensaios microbiológicos normatizados. Comum na pele e mucosas humanas o que reforça sua importância como indicador de risco e contaminação por manipulação e falhas de higiene. São relativamente resistentes a redução de água, com tolerância ao dessecamento e alta salinidade. Por isso ainda que não formem esporos sua resistência a estas condições de escassez ambientais, podem trazer a eles a sobrevivência por meses em amostras clínicas secas por exemplo, e tolerar os ambientes fabris mais improváveis.
Os Staphylococcus são comensais, mas também parasitas, comuns aos humanos e animais. Nos humanos duas espécies se destacam, o Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis. Essa “coexistência humana”, competindo por espaços e nutrientes, podem influenciar na existência um do outro.
O Staphylococcus epidermidis como parte da microbiota comensal, ocupa nichos ecológicos e adere a superfícies prevenindo a colonização e adesão do Staphylococcus aureus, microbiota transitória, intermitente; com a produção de proteases entre outros compostos que podem inibir o crescimento e a formação de biofilmes por S. aureus, além da possibilidade de neutralizar fatores de virulência ou modificar o pH do ambiente, tornando-o menos hospitaleiros para o S.aureus.
No entanto o uso excessivo ou inadequado de desinfetantes na indústria e de antibióticos em humanos pode gerar pressão seletiva capaz de favorecer cepas mais resistentes, como Staphylococcus aureus, em detrimento de microrganismos comensais como Staphylococcus epidermidis. A redução da microbiota competitiva e a seleção de mecanismos de resistência podem contribuir para a maior persistência e prevalência de S. aureus, especialmente em ambientes sob higienização intensiva ou uso frequente de antimicrobianos.
Por isso o controle do ambiente de forma sistemática com uso de ferramentas essenciais como Monitoramento Ambiental se faz necessário, permitindo avaliar as práticas de higiene e identificar falhas relacionadas a presença humana. A detecção e a análise de tendências desses microrganismos contribuem diretamente para a mitigação de riscos à qualidade do produto, à segurança do paciente e ao atendimento às exigências regulatórias aplicáveis.
Possíveis cenários no controle ambiental
| Situação observada | Interpretação técnica |
| S. epidermidis presente, S. aureus ausente | Situação comum e aceitável em ambientes controlados |
| S. aureus presente, S. epidermidis presente | Indica contaminação de origem humana; requer investigação |
| S. aureus presente, S. epidermidis ausente | Possível, mas incomum; pode estar relacionado a baixa recuperação, amostragem pontual ou portador específico |
| Ambos ausentes | Esperado em áreas muito bem controladas ou de baixa ocupação |
Em ambientes com presença humana, é comum a coexistência de Staphylococcus epidermidis e Staphylococcus aureus, uma vez que ambos integram a microbiota cutânea. No entanto, a detecção de S. aureus não implica obrigatoriamente na detecção concomitante de S. epidermidis, devendo cada resultado ser interpretado de forma independente no contexto do monitoramento ambiental e da gestão de risco microbiológico.
